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Sem Cinzas…

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   Aos dezasseis anos já fumava...  Deixar de fumar. Sem dúvida, foi uma das melhores decisões de 2024. Sinto uma liberdade que me faltava; era muito condicionada pelo tabaco. Até o facto de viajar, de frequentar certos espaços, era extremamente limitador. Libertar-me dessa dependência foi  conquistar essa liberdade. Mas o cigarro foi mais do que um vício. Foi também o abraço em horas vazias, o amparo nos silêncios, nas noites de insónia. Festejou comigo vitórias e amenizou derrotas. Ajudou-me a controlar a ansiedade, a encontrar estabilidade emocional. Foi consolo, escudo, pausa. Quem fuma entende: há dores que só o cigarro consegue ajudar a suportar. Não romantizo o vício, mas reconheço o conforto, as vezes que me "salvou". E é por isso que, ao celebrar este ano sem fumar, não esqueço o lugar que teve. Não foi só veneno; foi também alívio. Estou verdadeiramente feliz pela escolha de seguir sem ele. E queria conseguir dizer convicta: "Fumar, nunca mais!"     

Deixei de fumar. Parece-me... (parte II)

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Meu Deus, vou ficar rica! Pensei. E, de imediato, me imaginei  vestida de amarelo, com um chapéu de abas largas da mesma cor, a desinquietar o senhor Ambrósio porque me apetecia tomar algo.  Deixei de fumar. Pelo menos já não fumo há cinco meses. Jamais saberei se é para a vida toda. A última tentativa não correu muito bem. Desta vez, a musa inspiradora foi uma longa viagem de comboio. Não, não é no Expresso  Oriente. Para ficar a um preço suportável, teria de integrar um grupo de pelo menos cinco pessoas. Cruzes credo! Quem gosta de viajar sozinho percebe-me. É uma simples viagem de comboio pela Europa. Para quem fuma, viajar é sempre stressante, mesmo que as viagens sejam curtas. De avião a alternativa é escolher voos com escala e não cortar as unhas nos dois meses antecedentes.  Viajar. Foi isso que me levou a deixar de fumar e, até agora, com sucesso. Tenho mais saudades dos meus momentos com o cigarro do que do cigarro em si.  Não fiquei rica. Nem ganhei mais paladar, olfato, pele...

DEIXEI DE FUMAR... será?

Acabaram as férias . De volta à minha vidinha suportável, o que é uma coisa que me irrita. Também me irritam formigas nos bolos. Pipocas no cinema, caso não seja eu a comê-las,  irrita-me imenso o barulho alheio.  E poucas mais são as coisas que me irritam. Irrita-me a minha Aidinha (senhora que cuida da minha casa às quartas) quando diz que eu sou distraída por natureza e teimosa por opção. Eu acho que ela é perfeita por natureza e chatinha por opção.Mas apesar de tudo, até estou com um feitiozinho razoável. Era suposto estar a deitar fumo pelas orelhas e faíscas pelos olhos, pensava eu. Deixei de fumar, as pessoas ficam insuportáveis nos primeiros dias. Eu, benza me Deus, nem se nota nadinha.  Pelo sim, pelo não, pus um aviso, em letras garrafais, na minha secretária: "NÃO ME PROVOQUEM, SOU FEITA À BASE DE PÓLVORA, POSSO EXPLODIR A QUALQUER MOMENTO." Mas não explodi, tranquilos. Estou quase a esganar um sujeito que está sentado à minha frente, no comboio, porque coça a cabe...