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Coisas minhas...

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     Encontrei, casualmente, uma amiga de longa data, não se entusiasmem, ando tão insuportável que quem me aguentar cinco minutos já é assim considerado. Não é o caso, esta amizade já tem uns anitos. Quis o acaso que o encontro se desse em frente a uma senhora que vende flores na rua. Toda a gente sabe que eu não gosto de receber flores. Toda a gente menos as amigas de longa data. Nada a fazer, apanhada de surpresa, ali estava eu, toda florida, como uma noiva ou em dia de velório. A noiva, chega uma altura em que se livra do ramo. Eu não tinha como. Fiquei ali, com um sorriso inventado e a cabeça cheia de dilemas existenciais. Que fazer com elas? Levo-as para casa e assisto, impotente, ao seu lento definhar? Nem pensar, e imaginei-me, a oferece-las, como aquele célebre anuncio: Se de repente um desconhecido te oferecer flores, isso é Impulse...   As flores, frágeis, efémeras, desarmadas. Como quase tudo o que é bonito. Chegaram a casa, tiveram honras, por um momento breve. Porque não ...

EM PASSO PLANEADO...

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Apertei os sapatos em ritmo de Adeus. Parto em passo planado, com o sol em poente, reivindico uma gaivota triste como complemento de paisagem. Só depois me afasto, sem carácter de urgência. Vestida de preto, com salpicos de silêncio e um apontamento a designar, levo nas mãos acenos gastos à força de tanto serem usados. Remeto-as à inercia! Pela primeira vez não olho para trás num gesto póstumo. Há "nós" e laços, há agora um projecto de consciência em ruína. Atirei, como uma noiva, um ramo de crisântemos. Lamento imenso se alguém o apanhou...  "Ele foi sempre um mar de inverno, ela quis ser uma gaivota de verão."   Foto by me      

COM MUITO AMOR ...

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  Hoje era dia de cobrir-te de mimos, oferecer um ramo de flores e uma caixa de bombos de chocolate com recheio de cereja. Mas tu não estás, avó...