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Não tenham medo do que não existe...

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Meus queridos, personagens inventadas por mim, estão reunidas todas as condições para o isolamento social — e ainda bem. Estava adoentada, não muito, fiquei a trabalhar a partir de casa, com refeições e medicamentos à distância de um clique , sem ter de sair do conforto do lar, incomodar o vizinho, o amigo ou o parente mais próximo, que vive a 8000 km de distância (e isto é rigorosamente verdade). Mas um mal nunca vem só; nisto os provérbios não falham. Claro que a pessoa não vai para nova, e as maleitas do passado atuam como um relógio, ainda que não haja mudança de tempo. No caso da minha avó, quando lhe doíam as cruzes, o tempo mudava. No meu caso, e só porque sim, o dedo que lesionei no basquete volta e meia desata a doer, e tenho de lhe pôr um aparato elástico para o apaziguar e adquirir alguma mobilidade — mas pouca. E cá vou, rodeada dos meus males menores e maiores, numa companhia improvisadamente feliz: Livros, música, filmes e ,claro, a minha gata.  E por falar em filmes...  ...

"As Cores do Fogo"...

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  Adoro as minhas tardes de domingo, amarfanhada no sofá, rodeada de gulodices e a ver filmes. Principalmente no inverno. Toda a gente sabe que o tempo não anda lá muito certo.  "As Cores do Fogo". Uma adaptação do bestseller de Pierre Lemaitre, um filme que gostei de ver. A história é rica em detalhes históricos e sociais.  Destaco a cena — que, para mim, foi o ponto alto do filme — em que Solange Gallinato, interpretada por Fanny Ardant, canta provocativamente para Hitler. Um momento dramático que ilustra a coragem e a resistência da personagem diante de uma figura tão temida.    Porque a vida não é só feita de livros...