ESTAMOS TODOS...
"Só se começa a comer quando estivermos todos à mesa." Há anos que não ouço esta frase; acredito que continue em uso. Curiosamente, reparo que é uma expressão de família, maioritariamente usada nesse contexto. É uma frase de conforto. Quando a ouvia, não tinha o conceito de família. Soava-me a ultimato, uma imposição. Ainda hoje não tenho o conceito de família, e queria tanto ter. Por inerência, e dado que o Natal é a festa da família, também não tenho o conceito de Natal. Às vezes, imagino-me numa mesa enorme, em noite de consoada, rodeada de gente à qual não consigo atribuir um rosto. Eu e os meus fantasmas. Desisto. Decididamente, não gosto do Natal, apesar de ter enfeites espalhados pela casa e das comidas tradicionais na mesa. Que é posta só para um. A gata Luna aninhada na cadeira, ao meu lado. Em frente, o ursinho Frusky, que tem quase a minha idade. Sentar um ursinho de peluche à mesa é quase um sinal de demência, mas é a sensação de estarmos todos. Estamos todos. P...