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A Métrica do Caos...

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Indiferente a quantas quadras, tercetos, sílabas métricas um soneto deve conter, cuidei em não ser um hiato e em rima interpolada, salvei um sorriso de morrer de morte lenta.  Desarrumei o destino. Parti por aí sem bagagem, despi-me do luto, ignorei mares navegados, fui a tela de um pintor, fui aluna e professor, esqueci  pudores, pisei o risco, sai da linha, delirei em contramão, amassei o pão que o diabo comeu. Deixei de saber de mim.  Uma força vibrante, quase anárquica, mas confesso que vivi! Só que um soneto tem regras fundamentais, não se compadece da incompetência de quem avalia. Não se afoga uma moeda, no bar da esquina, para apagar a mágoa que o regresso ditou.  De volta  à minha vidinha suportável. Sem descobertas ou transgressões. O desconforto da rotina. É uma coisa que me inquieta...

DEIXEI DE FUMAR... será?

Acabaram as férias . De volta à minha vidinha suportável, o que é uma coisa que me irrita. Também me irritam formigas nos bolos. Pipocas no cinema, caso não seja eu a comê-las,  irrita-me imenso o barulho alheio.  E poucas mais são as coisas que me irritam. Irrita-me a minha Aidinha (senhora que cuida da minha casa às quartas) quando diz que eu sou distraída por natureza e teimosa por opção. Eu acho que ela é perfeita por natureza e chatinha por opção.Mas apesar de tudo, até estou com um feitiozinho razoável. Era suposto estar a deitar fumo pelas orelhas e faíscas pelos olhos, pensava eu. Deixei de fumar, as pessoas ficam insuportáveis nos primeiros dias. Eu, benza me Deus, nem se nota nadinha.  Pelo sim, pelo não, pus um aviso, em letras garrafais, na minha secretária: "NÃO ME PROVOQUEM, SOU FEITA À BASE DE PÓLVORA, POSSO EXPLODIR A QUALQUER MOMENTO." Mas não explodi, tranquilos. Estou quase a esganar um sujeito que está sentado à minha frente, no comboio, porque coça a cabe...

POR ALI E ACOLÁ...

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  Primeira etapa das férias, visitar sítios já visitados, ficar nos mesmos hotéis. É quase como regressar a casa, quase como  visitar a família. Uma regra,  nunca me demorar. Assim solta, sem redes sociais. O telemóvel  para registar momentos e lugares já trilhados, só. A tentação de ousar fazer uma cópia fiel dos registos, para depois comparar. Mas isso daria muito trabalho e são férias.   Segunda etapa, conhecer locais novos. Para ter mais casas a que regressar. Como quem tem família a visitar, assim de fugida...   

VIAJAR COM DESTINO...

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  Não há pacotes de férias para quem viaja sozinho. E quando há, paga-se sempre uma taxa adicional que pouco compensa. Numa qualquer deslocação, mesmo em conceito de trabalho, à pessoa que viaja sozinha, a estadia é sempre cobrada em quarto duplo. Como se as pessoas fossem obrigadas a andar aos pares. Há uns anos caí na tentação de levar uma amiga, um destino demasiado caro, mas dividido ficava mais suportável. Claro que me arrependi, fazer cerca de 8000 km para passar a maior parte dos dias na praia, porque a "pequena" tem o culto do bronze. Toda uma cultura para desbravar, caminhos para conhecer até me perder, desperdiçados. Felizmente tive a possibilidade de lá voltar, e recuperei o que tinha perdido.  Eu adoro praia, mas nas minhas escapadinhas não são o foco principal. E dizem-me, " ir ao Algarve e não ir à praia, é como ir a Roma e não ver o Papa."  Pois, mas eu quando vou a Roma não é para ver o Papa. A não ser que me arranjem um pacote de férias individual e...