NEM SEQUER É PARENTE, É SÓ CASTIGO...
Não é meu enteado, nasceu após o divórcio, nem é meu afilhado, nem sequer vizinho. Não me é rigorosamente nada, nadinhaaaa. Porque carga d' água tenho eu de aturar o pimpolho, sempre que os pais resolvem dar uma escapadinha romântica. Não sei a idade dele, nem me interessa, mas já tem idade suficiente para ficar meses a fio sozinho em casa. Pronto, tem seis ou sete anos, meses a fio é um exagero, mas um fim de semana prolongado até fazia dele um homem, digo eu. Depois tem a mania que é esperto, lembra-me, constantemente, que as crianças têm de brincar. Sugiro aos polícias e ladrões, ele é o ladrão e tem de ficar amordaçado, de pés e mãos amarradas, até os paizinhos voltarem. Não acha boa ideia, que falta de sentido de oportunidade tem este miúdo. Ai e tal, atravessar a estrada, tens de me dar a mão, diz ele. Que sorte a minha não terem inventado que as crianças têm de ser carregadas às costas ao atravessar uma simples passadeira. Lá lhe dou a mão, que não larga, como se a passadei...