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Anatomia do adeus...

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  Quem gosta sem razão deixa de gostar pelo mesmo motivo...    Brindo ao desencanto, mais ou menos. Refugio-me na figura que um defunto plagiou, sopro a vela, atiço a fogueira, e a paixão continua medíocre. No vazio da distância, suspendo-me num gesto oferecido, e a meia-noite permanece intacta. O meio da noite também. Pretendo atrasar-me, digo eu, e anuncio o espanto. Num socorro sem alívio, corro só, como quem se esgota na despedida e despida permanece, mas de distância. Sendo assim, ainda não chorou de saudade quem se fez de contente. Volto a anunciar o espanto. Com quantos gestos de indiferença se destrói a velha nota de rodapé onde um dia se escreveu: “ para sempre…”? E depois, há uma voz rouca que me chama. Talvez queira saber a quem pertence. Não ainda. FOTO: IT´S RAINING MEN (aleluia)  

Rebeldias...

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Na habitual forma egoísta de evitar ficarem preocupados, as tropas não queriam que eu fosse à passagem de ano com amigos. Depois de muitas negociações, até prometi usar o relógio no braço esquerdo (para a minha madrasta era um manifesto ato de rebeldia usar no direito), o ultimato: posso ir, mas não posso levar o meu carro. Carro esse, estrategicamente estacionado de modo a ser controlado da janela. Falhei na promessa com o relógio, mas aí cumpri. Não levei o meu carro, roubei o carro ao meu pai, estacionado em ângulo morto. A esta distância, sinto que não lhes facilitei a vidinha. Gorei todos os planos que tinham para mim. A minha também não foi facilitada, apesar de ter feito sempre o que quis, nunca nada foi feito como quis: era o fato de treino sobre a minha roupa normal e avisar que chegava tarde, tinha treino de basquete. Era sair com a saia pelo joelho e dar duas ou três voltas no cós para que ficasse dois palmos afastada. Era subornar, com beijinhos, a porteira para que me entr...