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Palavras em trânsito...

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  A SAPO Blogs vai encerrar e estamos tristes, claro. Foi aqui que muitos de nós deixámos palavras, silêncios,  rotinas e onde se formou, inclusive, um imaterial sentimento de amizade. Um lugar não desaparece quando fecha. Permanece enquanto houver quem leve as memórias consigo. Convém, ainda assim, não dramatizar em excesso. Há outras plataformas. Nenhuma será exactamente igual, mas não nos roubam o essencial. Escrever continua a ser escrever. Ler continua a ser ler. Quem gosta verdadeiramente de palavras acaba sempre por encontrar um sítio onde as pousar, mesmo que isso exija alguma ginástica digital . Seguimos com a casa às costas . É tempo de ir fazendo as “malas”, guardar algumas palavras e preparar-me para o encerramento total . Vou permanecer até ao fim, limpar a casa, organizar o que fica. Estou grata pela forma como fui aqui acolhida. O sentimento de que um ciclo se encerra não me é estranho. A minha vida será sempre feita de saudade e de pessoas que ficam, irrem...

Anatomia do adeus...

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  Quem gosta sem razão deixa de gostar pelo mesmo motivo...    Brindo ao desencanto, mais ou menos. Refugio-me na figura que um defunto plagiou, sopro a vela, atiço a fogueira, e a paixão continua medíocre. No vazio da distância, suspendo-me num gesto oferecido, e a meia-noite permanece intacta. O meio da noite também. Pretendo atrasar-me, digo eu, e anuncio o espanto. Num socorro sem alívio, corro só, como quem se esgota na despedida e despida permanece, mas de distância. Sendo assim, ainda não chorou de saudade quem se fez de contente. Volto a anunciar o espanto. Com quantos gestos de indiferença se destrói a velha nota de rodapé onde um dia se escreveu: “ para sempre…”? E depois, há uma voz rouca que me chama. Talvez queira saber a quem pertence. Não ainda. FOTO: IT´S RAINING MEN (aleluia)  

ATÉ SEMPRE...

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  Numa amnésia infinita de reencontro e despedida é num abraço que procuro a linha ténue que separa a sanidade da loucura. Há abraços que perfumam... Há abraços que não se repetem... que ficam para trás, numa estação de comboio qualquer e apetece ir buscá-los. Há abraços que são uma saudade imensa... que se escrevem com a palavra distancia. Há abraços que escorrem como se fossem lágrimas... Há abraços em que me abraço e apresiono para não esquecer... Foi num abraço que me perdi... num abraço de até já que eu traduzi até sempre... Mas não chorei na despedida ...  Continuo presa num tempo e num dia que tinha sido diferente dos outros. Nesse dia todos os que morreram foram para o céu e o mundo ficou da cor que eu gosto.  imagem pinterest