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Outono em duas paragens...

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        Da janela do comboio, as estações avançam lentas, como um outono tardio. A paisagem recusa vestir-se com pinceladas de ouro gasto. O comboio não apita a anunciar a estação seguinte. Pouca terra… pouca terra… As janelas tornam-se espelhos onde o outono se penteia. Espelhos. O olhar de quem observa e é observado. E eu, aqui ... sou a paisagem que passa, a passageira que fica. Outono Cada folha no chão é uma carta que o verão esqueceu de enviar. Dentro de mim, as estações também mudam, devagar, e sempre um pouco tarde. Pouca terra… pouca terra… E o outono é a estação seguinte, sem ninguém à minha espera. Santa Apolónia ficou para trás. E assim, entre paragens e outonos tardios,  cada estação, do ano ou do comboio, chega sempre, mesmo quando ninguém nos espera...

"Guia do Viajante Prudente Rumo às Terras Ermas." Ler ou não ler, eis a questão...

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    Fim de tarde, uma mulher chega a casa e dirige-se à cozinha. Tudo indica que vai começar a fazer o jantar. Ouve um barulho. Inclina-se para trás, espreita à janela, a cortina balança ligeiramente. "É o vento!", pensa ela. Continua tranquilamente a fazer o jantar.   O narrador entra em cena e diz: "E se por acaso não for o vento?" É então que surge uma figura medonha, com um punhal em riste, encostada à parede, por detrás do frigorífico. - Era este o trailer de um filme na Netflix. Tentador, mas eu também atribuo os ruídos estranhos ao vento e não me quero deixar influenciar e ficar com medo. Claro que não vi. Longe vai o tempo em que via um filme de terror e dormia, à noite, de janela aberta para ver as estrelas. Já aqui referi que tenciono fazer uma longa viagem de comboio. Estou-me a preparar, consultando tudo quanto é sites, blogs de viagens, comboios e afins. Até estou a tirar um curso intensivo de espanhol. Por experiência própria, é o povo que tem mais dif...

Pelos trilhos do crepúsculo…

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Gosto de tirar fotos das janelas dos transportes, quando viajo.  Há muito que não fazia uma viagem longa de comboio. Não devia ter viajado ao entardecer, chega uma hora em que a janela, outrora moldura para pinturas em movimento, transforma-se em espelho, refletindo-me, em detrimento da beleza imensa.  Fica o registo de cenários que desaparecem tão rapidamente quanto surgem. A metáfora da minha vida. O rio e a paisagem, as minhas musas involuntárias.