Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta amizade

Por Carla...

Imagem
  A minha mão sobre a da Carla. Eu e a Carla não éramos as melhores amigas. Por culpa minha, não é fácil ser minha amiga. Só estávamos juntas nos jantares de grupo. Num desses jantares, recebemos pulseiras iguais, daí a fotografia. A Carla faleceu precocemente. Temos várias fotos juntas, mas esta simboliza as vezes em que lhe podia ter dado a mão e só o fiz num momento fútil. As mãos tocam-se, mas o que verdadeiramente as une são os objetos, não o gesto. Nunca fui fácil de acompanhar ou de decifrar, e isso afastou-me do essencial, como dar a mão no momento certo. Vivo bem com isso. O mundo transborda de boas pessoas e conforta-me saber que não faço mal a ninguém. Gosto das pessoas na ausência, canso-me delas na presença. Não é frieza, é defesa. Talvez gostar à distância seja a minha forma imperfeita de amar.  

O Miguel (memórias)...

Imagem
    O Miguel, de olhos fechados, parecia querer mergulhar nas teclas do piano, que o próprio tocava, para se reerguer, no mesmo instante, e ondulante, abria os olhos lentamente, quase a pedir silêncio, que nada perturbasse as notas que lhe saiam da alma. Fração de segundos,  tudo voltava ao normal, na casa de campo. Com um lago cheio de rãs que só se calavam para ouvir o Miguel tocar.  Não era suposto eu estar ali. Tinha ido visitar a minha avó, sem a avisar, e a surpresa foi  minha porque afinal ela não estava, tinha ido a “Banhos". Nunca percebi o que era ir a banhos. Seria nome de uma terra, seria um tratamento termal? Não perguntei. Nunca fui de fazer perguntas. Ainda hoje. Isso é considerado, por muitos, indiferença. Faço-o na consciência de que as pessoas só dizem o que querem e caso queiram que saibamos algo, é dito sem necessidade de perguntar.  O Miguel, companheiro de infância, neto da vizinha da minha avó. Raras vezes a nossa ida "à terra" coincidia. Aceitei, ...

CORVO ...

Imagem
O "Corvo". Ao que parece fechou o perfil. Das pessoas mais gentis que conheci por aqui.Tinha sempre uma palavra de carinho para me mimar. Aos poucos foi-se afastando, deu outro rumo ao Blogue. Há que respeitar. Mas estava lá. Eventualmente, terá ou abrirá outro espaço, neste charco (como carinhosamente chamamos).  É o meu desejo. Nunca as últimas palavras que me deixou fizeram tanto sentido, mas no sentido inverso. Sou eu que as dedico a quem me deu tanto.   Que esteja e se sinta bem, querido amiguinho CORVO. Voltará ou não, nunca será esquecido e será sempre recordado. Toda a felicidade do mundo para si, e que o farol da serenidade ilumine os passos do seu caminho. Saúde, paz e harmonia na sua vida Um beijinho.   Hoje estou triste, sinto pena, tenho saudade. Até sempre, meu querido.   

A MELHOR AMIGA...

Imagem
    O sentimento que mais prezo é o da amizade. Não gosto do conceito de melhor amigo, o facto de nos relacionarmos mais com uma pessoa pela proximidade geográfica, tendencionalmente torna-o no nosso melhor amigo. No entanto, é simplesmente o amigo com quem nos relacionamos mais. A palavra AMIGO é suficientemente forte para dispensar adjetivos. Mas há o primeiro amigo. O amigo de infância. O responsável por fazer desabrochar em nós esse sentimento nobre. Com ele é que se define o conceito de amizade. E se não se esquece o primeiro amor (eu que só tenho uma vaga ideia do último, não sou a pessoa mais indicada a dissertar sobre esse assunto), eu nunca esqueci o meu primeiro amigo. Neste caso uma amiga, a Gracinha. Éramos inseparáveis, colegas de carteira, de brincadeira. Foi ela a testemunha das primeiras vezes que parti a cabeça, esfolei os joelhos, cortei a franja e outras peripécias inerentes à infância. Nunca nos zangámos, estávamos sempre uma com a outra e uma pela outra. Depois vei...