Não podem abraçar-me só porque sim...
Palavras sopradas pelo vento voam em minha direção. E abraçam-me. Só porque sim. Visualizo o momento, num retrato a preto e branco. Levanto a mão, como faria qualquer índio, num gesto de paz, e conquisto o direito de ser ouvida. As palavras caem-me aos pés, rendidas. Sabem que os blocos de gelo também choram quando derretem. Não podem abraçar-me só porque sim. A distância sobrevive, salgada como a água do mar, que respira ondas. Eu respiro silêncios, despedidas, esperas e nadas. A resiliência de quem aprendeu a ser e estar, como quer ser e quer estar. Reconcilio-me com o vazio que nem sinto. Não me desinquietem as sombras que se aninham em palavras vãs. Não me abracem. Não podem abraçar-me só porque sim.