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Manual de Transferência de Culpa...

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Imagem Pinterest 2025 ficou para trás. Finalmente. Um ano que não repetiria. Gostava que 2026 me devolvesse o que o anterior me tirou. A minha gata, principalmente. A minha tolerância. Alguma empatia por situações pontuais que, vistas agora, não justificavam as reações drásticas que tomei. Um inventário de ausências. O clássico “eu sou assim”. Não sou nada assim. Fui assim porque quis. Ou porque me deixei ser. Vá, 2026, traz-me serenidade e discernimento. Não posso continuar a fingir que não sei que somos seres plurais, contraditórios, mutáveis. Em 2025 fiz o que quis e só por quem quis.  Ri menos, convivi menos, afastei-me demais em nome da minha estabilidade emocional.  É confortável ter um bode expiatório, um ano inteiro para culpar. E se 2026 falhar, já tenho o discurso ensaiado: vou bater à porta de 2027 e queixar-me deste antecessor incompetente que não me soube carregar.      

Coisas da Aidinha...

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A Aidinha entra em pânico quando não atendo a chamada. Pensa sempre que me aconteceu algo e o sentimento de impotência por estar agora a largos quilómetros de distância, sem ter a quem ligar para saber de mim, deixa-a em sobressalto. Claro que não tem, e vai continuar a não ter, porque, na verdade, ninguém sabe de mim. Ligue para quem ligar. Ontem fez-me um ultimato: ou lhe dava um número a quem telefonar, ou, da próxima vez, chamava os bombeiros. Eu acredito que é bem capaz de o fazer, e de se meter num táxi, desvairada, a caminho daqui, a dar instruções ao motorista como se fosse uma operação de resgate. Claro que não cedi à chantagem. Um bombeiro fora de horas até nem me parece mal. Força Aidinha, liga aos bombeiros, de preferencia aos do calendário 2026. imagem tirada na minha sala   (quer dizer... ao ecrã da minha televisão).